A Simonetti Citrus, uma referência no setor de citros, está redefinindo os padrões de cultivo e comercialização de laranjas e tangerinas em suas extensas propriedades localizadas em Minas Gerais e São Paulo. Com uma área de 2.500 hectares dedicados à produção, a empresa colhe anualmente um impressionante volume de 1 milhão de caixas de frutas. Sua estratégia de sucesso baseia-se na diversificação de variedades, adoção de tecnologias avançadas e uma inteligência comercial apurada para atender às dinâmicas do mercado e aos desafios inerentes à citricultura moderna.
Simonetti Citrus: Pilares de Inovação e Crescimento no Agronegócio
No coração da operação da Simonetti Citrus, encontramos uma filosofia de vanguarda que combina diversificação de culturas, aplicação intensiva de tecnologia e uma profunda inteligência comercial. O diretor, Antônio Carlos Simoneti, lidera a área comercial da empresa, enfatizando a importância de selecionar variedades que se alinhem com nichos de mercado específicos. A tangerina Olé serve como um exemplo notável dessa abordagem, ao lado de outras cultivares em fase de avaliação, todas visando otimizar os períodos de oferta e satisfazer as preferências dos consumidores.
Simoneti argumenta que a escolha de uma variedade vai além da simples produtividade por hectare; ela deve considerar um leque de fatores como época de colheita, atributos de qualidade da fruta, sabor, facilidade de descascamento, ausência de sementes, apelo visual, durabilidade pós-colheita, aceitação do consumidor e, crucialmente, a disposição do mercado em remunerar esses diferenciais. Ele sublinha que os consumidores atuais estão mais perspicazes em relação à experiência de consumo, valorizando características que agregam valor percebido, como sabor, conveniência e qualidade.
A história da Simonetti Citrus reflete essa evolução. Desde os anos 2000, a empresa tem direcionado sua produção para o mercado de frutas frescas, expandindo-se para novas regiões em Minas Gerais, onde as condições são particularmente favoráveis ao cultivo de tangerinas. Esta expansão não visa substituir as variedades tradicionais, mas sim complementar o portfólio e identificar janelas de mercado que propiciem maior rentabilidade.
A distribuição da produção ao longo do ano é outro pilar estratégico. Ao cultivar variedades com diferentes períodos de maturação, a empresa consegue estender sua janela de comercialização, atender melhor seus clientes e otimizar o uso de sua infraestrutura produtiva e logística. Contudo, Simoneti adverte que uma variedade diferenciada não garante, por si só, maior rentabilidade. Antes de qualquer plantio comercial, é fundamental uma análise rigorosa de produtividade, custos de implementação e manejo, comportamento da planta na região, qualidade da fruta, aceitação do mercado e o preço que pode ser alcançado. É um investimento de médio a longo prazo que exige um estudo meticuloso.
A visão de Simoneti para o futuro da citricultura é clara: uma produção cada vez mais sintonizada com as exigências do mercado. Ele acredita que o futuro do citros de mesa reside em produzir o que o mercado anseia, e não apenas o que tradicionalmente se produz.
Avanços Tecnológicos e Sustentabilidade no Pomar
A Simonetti Citrus emprega uma série de tecnologias e práticas de manejo inovadoras. A BioFábrica, por exemplo, é dedicada à produção de agentes biológicos para uso nos pomares, promovendo um controle biológico mais eficaz e reduzindo a dependência de produtos químicos, resultando em um manejo mais preventivo e equilibrado. Este avanço não só beneficia o meio ambiente, mas também confere à empresa maior autonomia e capacidade de planejamento das aplicações, de acordo com as necessidades específicas de cada área.
O sistema Protector aprimora a rastreabilidade das operações, permitindo um acompanhamento preciso das aplicações e inspeções realizadas, com registros detalhados sobre o que, onde e quando foi feito. Este controle rigoroso aprimora a eficiência operacional e facilita a tomada de decisões técnicas. As tecnologias de aplicação focam na utilização técnica do volume de calda, considerando o tamanho e a estrutura das plantas, o que otimiza a qualidade da cobertura e minimiza o desperdício de água e insumos.
A fertirrigação, por sua vez, introduz precisão no fornecimento de nutrientes em áreas irrigadas. O fracionamento da adubação permite acompanhar a demanda das plantas ao longo do ciclo, garantindo uma oferta nutricional uniforme e no momento ideal, resultando em maior aproveitamento dos fertilizantes e ajustes rápidos conforme o desenvolvimento da cultura e as condições do solo.
Desafios e Respostas da Citricultura
Entre os desafios mais prementes, Simoneti aponta o greening (HLB), a instabilidade climática, o aumento dos custos de produção e a urgência por maior eficiência operacional. O greening, em particular, exige monitoramento constante, controle rigoroso do psilídeo, inspeções frequentes e uma colaboração intensificada entre os produtores. Esta doença está moldando a forma como e onde os citros são cultivados, impulsionando a busca por novas regiões com condições climáticas favoráveis e menor incidência da doença, como Minas Gerais.
A mudança de região, no entanto, requer um planejamento meticuloso, considerando clima, solo, disponibilidade hídrica e a pressão de pragas e doenças, além da escolha da área, implementação do pomar, porta-enxertos, variedades, irrigação, nutrição e manejo fitossanitário.
A variabilidade climática, com suas altas temperaturas, chuvas irregulares e eventos extremos, impacta diretamente o florescimento, o desenvolvimento e a qualidade dos frutos. A irrigação, fertirrigação e o monitoramento climático tornam-se, assim, ferramentas essenciais para a segurança da produção. Os custos crescentes com fertilizantes, defensivos, energia, combustível, máquinas, logística e mão de obra exigem investimentos contínuos em sanidade e tecnologia. A mecanização, automação e digitalização dos processos são vistas como tendências inevitáveis para o futuro da citricultura.
Para Simoneti, o sucesso futuro da citricultura dependerá da união entre sanidade, tecnologia e adaptação regional. Ele defende que a atividade não pode mais se basear apenas na experiência e tradição, mas sim na combinação de conhecimento técnico, dados, inovação e observação de campo para alcançar uma produção mais eficiente e sustentável.
Comercialização como Estratégia de Valor
A comercialização é uma área crucial que necessita de avanços. Os produtores precisam compreender o mercado, conhecer o perfil do consumidor e buscar canais que valorizem a qualidade da fruta. A rastreabilidade, o controle dos processos, a segurança alimentar, a padronização dos frutos e a regularidade do fornecimento são elementos que diferenciam o produto e constroem a confiança do comprador.
Na Simonetti Citrus, a meta é estreitar a conexão entre produção e comercialização, trazendo para o pomar informações valiosas sobre as preferências do mercado, como variedade, calibre, coloração, qualidade interna e época de oferta. A diversificação dos canais de venda, que incluem indústria, mercado de frutas frescas, hortifrutis, supermercados e outros compradores, permite direcionar cada tipo de fruta ao mercado onde ela detém maior valor e, ao mesmo tempo, mitigar riscos comerciais.
A criação de uma marca e identidade para a fruta produzida é outro meio de agregar valor. Simoneti destaca que ao narrar a história da produção, evidenciar a origem, as boas práticas, o cuidado ambiental e a qualidade do produto, a fruta transcende a condição de commodity, tornando-se um produto com identidade e procedência. Para ele, é crucial deixar de ver a fruta apenas como commodity e reconhecê-la como um produto com qualidade, origem, história e características únicas.
Citrus de Mesa: Um Ponto de Encontro e Conhecimento
Como vice-presidente da ABCM, Simoneti vê o Citrus de Mesa como muito mais do que um evento técnico; é um epicentro para toda a cadeia do citros de mesa, reunindo produtores, pesquisadores, técnicos, empresas e comerciantes. É uma plataforma essencial para a troca de experiências e a discussão dos rumos futuros da atividade. O evento democratiza o conhecimento, levando-o diretamente aos produtores e, ao mesmo tempo, capta as necessidades do campo para a Associação.
A programação técnica, com especialistas e tópicos relevantes à realidade da produção, é um de seus diferenciais. O evento também serve como palco para lançamentos de produtos, tecnologias e soluções voltadas para a produção e comercialização de citros de mesa. Os projetos de pesquisa exclusivos da ABCM, apoiados por empresas parceiras, asseguram que o conhecimento gerado nos centros de pesquisa chegue aos produtores e auxilie na resolução de problemas reais da citricultura. O Citrus de Mesa também fomenta o networking, permitindo a criação de novas parcerias e a valorização da atividade através da discussão de temas como produtividade, qualidade, segurança alimentar, rastreabilidade e comercialização. A expectativa para a 16ª edição é de um público qualificado e engajado, interessado em conhecimento, tecnologia e inovação, com a participação de diversas empresas e produtores de diferentes regiões do Brasil, visando que cada participante leve consigo soluções práticas e inspiradoras para seus negócios.
A agricultura moderna está em constante transformação, exigindo uma visão estratégica e adaptabilidade dos produtores. A Simonetti Citrus demonstra como a combinação de inovação tecnológica, gestão comercial perspicaz e um compromisso com a sustentabilidade pode não apenas superar desafios, mas também abrir novos horizontes para o agronegócio. A história da empresa ressalta que o sucesso no setor agrícola de hoje não se limita à produtividade, mas se estende à capacidade de entender e responder às demandas do consumidor, valorizando a qualidade e a identidade do produto. Este é um modelo inspirador para toda a cadeia produtiva, mostrando que investir em pesquisa e desenvolvimento, ao mesmo tempo em que se busca uma conexão mais profunda com o mercado, é o caminho para um futuro próspero e resiliente na citricultura e no agronegócio em geral.
